domingo, 8 de setembro de 2013

E namorados nessa altura, Kitty Fane?

Para dizer a verdade, nunca gostei e evitei sempre filmes que abordam o cancro e que resultam sempre em grandes dramas e choradeiras. É sempre tudo muito pesado e deprimente. Até que apareceu o  50/50. Como eu adoro esse filme. Quando o vi pela primeira vez, chorei e ri como nunca o tinha feito num filme. Identifiquei-me com quase tudo. Com muita pena minha, quando descobri que tinha cancro, ainda não tinha conhecido o meu marido, o meu querido, o meu Amor que eu amo louca e perdidamente, e, tal como nesse filme, eu também tive um traste ao meu lado nessa altura.

Foi a pessoa que, ao invés de me dar força antes da cirurgia, me relembrava dos riscos que eu corria. Foi a pessoa que me disse que não gostava de hospitais, como se houvesse alguém que gostasse de hospitais e ali fosse por divertimento. Foi a pessoa que depois de eu descobrir que tinha cancro, ficou cheio de trabalho e quase sem tempo de me ver e de estar comigo.

Não guardo rancor nenhum da forma como fui tratada por aquele que dizia que me amava, porque, verdade seja dita, eu não o amava. Estava com ele já nem sei bem porquê (eu era uma pessoa estranha naquela altura). Ter-me-ei acomodado a uma pessoa à qual eu não achava grande piada mas que fez tudo tudo para me conquistar uns bons meses antes e me fez gostar dele? Talvez. Mas, caramba, há limites. Escusado será dizer que acabámos, ainda que pacificamente, pouco tempo depois do tal fatídico dia, e que, inacreditavelmente,  ele tentou uma reaproximação (em vão) logo que me soube bem e supostamente livre de cancro.

Dizem que nestas alturas as pessoas revelam para connosco o melhor e o pior delas, consoante o amor e o respeito que têm por nós. Concordo em absoluto. Também dizem que temos de conhecer muitos trastes até nos aparecer o Homem da nossa vida. Concordo em absoluto. E é agora, sabendo e vendo quem tenho ao meu lado, que nos dias bons e nos dias maus me dá tudo o que tem, me dá todo o carinho e me salva sempre de um dia mau com o seu abraço, que eu fico com pena de existirem tantas pessoas a viverem o drama do cancro sem um Amor à sua altura. Porque um Amor bonito e presente faz toda a diferença.

6 comentários:

O carteira vazia disse...

Não é mais um blog… É um blog para vos fazer rir, com crónicas, coisas que vocês também passam no vosso dia-a-dia. Serve isto para divulgar e humildemente vos peço para me ajudarem a divulgar, por favor ajudem-me. Pode ser? Obrigado

http://ocarteiravazia.blogspot.com/

Bailarina disse...

lindo post! encontrar o homem da nossa vida é uma magia imensa!
também tive essa sorte!
Felicidades

cabranazi disse...

Por acaso não concordo muito com isto mas também não me irei alongar muito pois corro o risco de não publicares o meu comment ;)

Apenas digo o seguinte: as pessoas muitas vezes não querem um Amor...querem sim uma bengala, uma muleta, um enfermeiro e isso é pior que o Cancro acho. E não é de certeza Amor.

Anónimo disse...

Olá! Não querendo defender o traste queria só dizer que também é possível que uma pessoa verdadeiramente apaixonada reaja de forma muito inapropriada a uma doença de quem ama. Isto porque também deve ser aterrador antever a dor de se perder que se quer. Claro que não é a maneira correcta de agir e só dificulta à vida ao doente, mas nem sempre significa falta de amor. Beijinhos

Rubina disse...

Quem Ama cuida. Quem se afasta sao os cobardes, quem n tem coragem. Se queres receber tens de dar.., por que nao ser a muleta da pessoa que eu amo, se é isso que ela precisa naquele momento da vida dela?

Mas sim... Ha maneiras diferentes de ver as coisas e a vida.

Anónimo disse...

Tenho muita pena que tenha acabado o outro blog. Admiro-a há muito tempo e continuo a admirá-la por ter decidido escrever este.
Considerava-a uma das pouquíssimas bloggers com categoria.